CFOP: O Que É, Para Que Serve e Tabela Completa Atualizada

O CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) é um dos elementos mais importantes — e também um dos mais temidos — do sistema tributário brasileiro. Presente em todas as notas fiscais eletrônicas (NF-e) emitidas no país, ele é o responsável por dizer ao Fisco exatamente qual é a natureza de cada operação realizada pela sua empresa.

Errar o CFOP pode gerar multas, autuações fiscais, recolhimento indevido de impostos e até a rejeição da nota pela SEFAZ. Por outro lado, dominar esse código significa operar com segurança jurídica, otimizar tributos e manter sua empresa em dia com as obrigações fiscais.

Neste guia completo e definitivo sobre CFOP, você vai aprender o que é, para que serve, como usar, conhecer a estrutura dos 4 dígitos, consultar a tabela completa atualizada e entender os principais códigos usados no dia a dia das empresas brasileiras. Vamos lá?


O Que É CFOP?

CFOP é a sigla para Código Fiscal de Operações e Prestações. Trata-se de uma sequência numérica de 4 dígitos que identifica a natureza de uma operação de circulação de mercadorias ou de uma prestação de serviços de transporte ou comunicação.

O CFOP é uma sequência numérica utilizada em documentos fiscais para identificar a natureza de circulação de mercadorias ou a prestação de serviços de transportes.

Esse código foi instituído pelo sistema tributário brasileiro e tornou-se obrigatório em todas as notas fiscais — sejam elas eletrônicas (NF-e), de consumidor (NFC-e), de transporte (CT-e), entre outras.

Para que serve o CFOP?

O CFOP cumpre três funções principais:

  1. Classificar a natureza fiscal da operação (venda, compra, devolução, transferência, remessa, importação, exportação etc.);
  2. Indicar se a operação é interna (mesmo estado), interestadual ou com o exterior;
  3. Definir a tributação aplicável (ICMS, IPI, PIS, COFINS) e o impacto no estoque e na escrituração fiscal.

Em resumo: o CFOP é a "etiqueta" que classifica cada operação fiscal do Brasil, permitindo ao Fisco fiscalizar, à empresa apurar tributos corretamente e ao SPED (Sistema Público de Escrituração Digital) registrar tudo de forma padronizada.


Como Funciona a Estrutura dos 4 Dígitos do CFOP?

Cada um dos 4 números do CFOP carrega um significado preciso. Entender essa lógica facilita muito a identificação do código correto.

1º dígito → Tipo e abrangência da operação

Dígito Significado
1 Entrada de mercadoria/serviço dentro do estado
2 Entrada de mercadoria/serviço de outros estados
3 Entrada de mercadoria/serviço do exterior
5 Saída de mercadoria/serviço dentro do estado
6 Saída de mercadoria/serviço para outros estados
7 Saída de mercadoria/serviço para o exterior

💡 Observação: o número 4 não é utilizado na tabela CFOP atual.

2º dígito → Grupo da operação

Indica a categoria geral (compras, transferências, devoluções, remessas, etc.).

3º e 4º dígitos → Detalhamento específico

Especificam a operação dentro do grupo (venda para comercialização, venda de ativo, devolução de compra, etc.).

Exemplo prático: decifrando o CFOP 5102

  • 5 → Saída de mercadoria dentro do estado;
  • 1 → Grupo de venda de mercadoria adquirida de terceiros;
  • 02 → Venda para comercialização sem industrialização.

➡️ Resultado: CFOP 5102 = "Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros" (operação intraestadual).


Os 6 Grupos Principais da Tabela CFOP

A tabela CFOP é dividida em 6 grandes grupos, identificados pelo primeiro dígito:

🟦 Grupo 1000 — Entradas Estaduais

Entradas e aquisições de mercadorias ou serviços dentro do mesmo estado (operações onde remetente e destinatário estão na mesma UF).

🟦 Grupo 2000 — Entradas Interestaduais

Entradas de mercadorias ou serviços vindos de outros estados brasileiros.

🟦 Grupo 3000 — Entradas do Exterior

Classificam-se, neste grupo, as entradas de mercadorias oriundas de outro país, inclusive as decorrentes de aquisição por arrematação, concorrência ou qualquer outra forma de alienação promovida pelo poder público, e os serviços iniciados no exterior.

🟧 Grupo 5000 — Saídas Estaduais

Classificam-se, neste grupo, as operações ou prestações em que o estabelecimento remetente esteja localizado na mesma unidade da Federação do destinatário.

🟧 Grupo 6000 — Saídas Interestaduais

Classificam-se, neste grupo, as operações ou prestações em que o estabelecimento remetente esteja localizado em unidade da Federação diversa daquela do destinatário.

🟧 Grupo 7000 — Saídas para o Exterior

Exportações de mercadorias e prestação de serviços iniciados no Brasil com destino ao exterior.

⚠️ Regra de ouro: dígitos 1, 2 e 3 = ENTRADA | dígitos 5, 6 e 7 = SAÍDA.


Tabela CFOP: Os Códigos Mais Usados no Dia a Dia

Apesar de existirem centenas de códigos na tabela CFOP, na prática a maioria das empresas trabalha com cerca de 30 a 50 códigos recorrentes. Veja os principais agrupados por finalidade:

📥 CFOPs de Entrada — Compras

CFOP Descrição
1101 Compra para industrialização ou produção rural (estadual)
1102 Compra para comercialização (estadual)
1556 Compra de material para uso ou consumo (estadual)
1551 Compra de bem para o ativo imobilizado (estadual)
2101 Compra para industrialização (interestadual)
2102 Compra para comercialização (interestadual)
2556 Compra de material para uso ou consumo (interestadual)
3101 Compra para industrialização (importação)
3102 Compra para comercialização (importação)

📤 CFOPs de Saída — Vendas

CFOP Descrição
5101 Venda de produção do estabelecimento (estadual)
5102 Venda de mercadoria adquirida de terceiros (estadual)
5405 Venda de mercadoria sujeita à ST — substituído (estadual)
6101 Venda de produção do estabelecimento (interestadual)
6102 Venda de mercadoria adquirida de terceiros (interestadual)
6403 Venda de mercadoria sujeita à ST — substituto (interestadual)
6404 Venda de mercadoria sujeita à ST — substituído (interestadual)
7101 Venda de produção do estabelecimento (exportação)
7102 Venda de mercadoria adquirida de terceiros (exportação)

🔄 CFOPs de Devolução

CFOPs de devolução são usados quando mercadorias retornam ao fornecedor ou ao estoque da empresa. Veja os principais:

CFOP Descrição
1202 Devolução de venda de mercadoria de terceiros (estadual)
2202 Devolução de venda de mercadoria de terceiros (interestadual)
5202 Devolução de compra para comercialização (estadual)
6202 Devolução de compra para comercialização (interestadual)
1411 / 2411 Devolução de venda com mercadoria sujeita à ST
5411 / 6411 Devolução de compra com mercadoria sujeita à ST

🔁 CFOPs de Transferência e Remessa

CFOP Descrição
5151 / 6151 Transferência de produção do estabelecimento
5152 / 6152 Transferência de mercadoria de terceiros
5915 / 6915 Remessa de mercadoria para conserto ou reparo
5916 / 6916 Retorno de mercadoria recebida para conserto
5911 / 6911 Remessa de amostra grátis
5910 / 6910 Remessa em bonificação, doação ou brinde

📋 Tabela completa: o Brasil possui mais de 500 códigos CFOP. A versão oficial atualizada pode ser consultada no Portal Nacional da NF-e ou no site da SEFAZ do seu estado.


Como Saber Qual CFOP Usar? Passo a Passo

Escolher o CFOP correto exige seguir uma lógica simples. Use este checklist em 4 etapas:

1️⃣ Identifique o tipo de operação

A nota é de entrada (compra, devolução de venda, retorno) ou de saída (venda, devolução de compra, remessa)?

2️⃣ Determine a abrangência geográfica

A operação acontece:

  • Dentro do estado (mesmo UF)? → 1xxx ou 5xxx
  • Entre estados (UFs diferentes)? → 2xxx ou 6xxx
  • Com o exterior? → 3xxx ou 7xxx

3️⃣ Identifique a natureza específica

A operação é uma venda? Uma compra? Uma devolução? Uma transferência? Uma remessa para conserto?

4️⃣ Verifique particularidades tributárias

  • O produto está sujeito à substituição tributária (ST)?
  • A mercadoria foi fabricada pela empresa ou adquirida de terceiros?
  • É destinada à revenda, ao uso e consumo ou ao ativo imobilizado?

Após responder a essas perguntas, basta consultar a tabela CFOP e localizar o código que descreve exatamente essa combinação.


CFOP de Entrada x CFOP de Saída: Como se Relacionam

Cada operação fiscal envolve duas notas fiscais correlatas: a do remetente (saída) e a do destinatário (entrada). Os códigos CFOP correspondentes seguem um padrão lógico de "espelho":

Operação CFOP de Saída (vendedor) CFOP de Entrada (comprador)
Venda intraestadual de revenda 5102 1102
Venda interestadual de revenda 6102 2102
Venda intraestadual de produção própria 5101 1101
Venda interestadual de produção própria 6101 2101
Devolução de compra (estadual) 5202 1202
Devolução de compra (interestadual) 6202 2202

Saber identificar o "par" do CFOP recebido é fundamental para o lançamento correto da nota de entrada no seu sistema de gestão.


CFOP e Substituição Tributária (ICMS-ST)

Quando a operação envolve mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária, não se utilizam os CFOPs comuns (como 5102 ou 6102). Existem códigos específicos para esses casos:

  • CFOP 5401 / 6401 → Venda de produção própria com ST (substituto)
  • CFOP 5403 / 6403 → Venda de mercadoria de terceiros com ST (substituto)
  • CFOP 5405 → Venda de mercadoria com ST (substituído — estadual)
  • CFOP 6404 → Venda de mercadoria com ST (substituído — interestadual)

A diferença está em quem recolhe o ICMS-ST:

  • Substituto: recolhe o imposto antecipadamente para toda a cadeia;
  • Substituído: recebe a mercadoria com o ICMS-ST já recolhido pelo fornecedor.

🔗 Saiba mais em nosso conteúdo sobre Substituição Tributária do ICMS.


Os 7 Erros Mais Comuns no Uso do CFOP

Mesmo profissionais experientes cometem deslizes na hora de escolher o CFOP. Os mais frequentes são:

  1. Confundir CFOP estadual com interestadual — usar 5102 quando deveria ser 6102 (ou vice-versa);
  2. Usar CFOP de mercadoria de terceiros para produção própria — confundir 5101/6101 com 5102/6102;
  3. Aplicar CFOP comum em operação com ST — esquecer de usar 5405 ou 6403/6404;
  4. Inverter CFOP de devolução — usar 1202 quando deveria ser 5202;
  5. Ignorar o CFOP correto para uso e consumo — lançar 2102 quando o correto seria 2556;
  6. Usar CFOP de venda em transferência entre filiais — esquecer dos códigos 5151/6151 ou 5152/6152;
  7. Não atualizar os CFOPs após mudanças na legislação — a tabela passa por atualizações periódicas.

Consequências de Errar o CFOP

O erro no preenchimento do CFOP pode gerar prejuízos consideráveis para a empresa:

  • 🚫 Rejeição da NF-e pela SEFAZ no momento da transmissão;
  • 💸 Recolhimento indevido de ICMS (a maior ou a menor);
  • Negativa de crédito fiscal ao destinatário da mercadoria;
  • 📉 Inconsistências no SPED Fiscal e na EFD-ICMS/IPI;
  • ⚖️ Autuações e multas por parte do Fisco estadual;
  • 🔁 Retrabalho contábil e necessidade de ajustes posteriores.

Por isso, contar com um bom sistema emissor de NF-e e o suporte de um contador especializado é essencial.


CFOP e SPED Fiscal: Por Que Essa Relação Importa?

Todas as operações classificadas por CFOP são automaticamente escrituradas no SPED Fiscal (Sistema Público de Escrituração Digital). Isso significa que:

  • Cada CFOP é mapeado em registros específicos da EFD;
  • O Fisco cruza informações entre emitente e destinatário;
  • Divergências de CFOP geram alertas e podem disparar fiscalizações;
  • A escolha correta impacta diretamente na apuração do ICMS, IPI, PIS e COFINS.

Em outras palavras: o CFOP é a porta de entrada para toda a sua escrituração digital. Erros aqui se propagam por toda a cadeia fiscal.


Onde Consultar a Tabela CFOP Oficial?

A tabela CFOP é mantida pelo CONFAZ (Conselho Nacional de Política Fazendária) e disponibilizada pelas Secretarias de Fazenda Estaduais. Você pode consultá-la em:

  • 🏛️ Portal Nacional da NF-e: www.nfe.fazenda.gov.br
  • 🏛️ Site da SEFAZ do seu estado
  • 📚 Portal Tributário e portais especializados
  • 💼 Sistemas ERP integrados (a maioria já traz a tabela atualizada e com preenchimento automático)

Perguntas Frequentes Sobre CFOP

1. CFOP é obrigatório em todas as notas fiscais?

Sim. O CFOP é campo obrigatório em toda NF-e, NFC-e, CT-e e outros documentos fiscais eletrônicos. Sem ele, a nota é rejeitada pela SEFAZ.

2. O CFOP determina o imposto que vou pagar?

O CFOP classifica a operação, mas a tributação efetiva depende também do CST/CSOSN, NCM, regime tributário e da legislação estadual. Ele influencia, mas não define sozinho o imposto devido.

3. Posso usar mais de um CFOP em uma mesma nota fiscal?

Sim. Em uma NF-e com múltiplos itens, cada produto pode ter seu próprio CFOP, conforme a natureza da operação para aquele item específico.

4. CFOP é o mesmo que NCM?

Não. CFOP classifica a operação (venda, compra, devolução), enquanto NCM classifica a mercadoria (qual é o produto). Ambos são obrigatórios e atuam em conjunto.

5. Como saber se o CFOP escolhido está correto?

Confirme se ele descreve com exatidão: (1) tipo da operação — entrada ou saída; (2) abrangência — estadual, interestadual ou exterior; (3) natureza — venda, compra, devolução etc.; e (4) particularidades como ST e finalidade da mercadoria.

6. A tabela CFOP muda com frequência?

A tabela é atualizada periodicamente pelo CONFAZ. Mudanças significativas costumam ocorrer com novos ajustes SINIEF e convênios estaduais. Mantenha seu sistema sempre atualizado.


Conclusão

Dominar o CFOP é fundamental para qualquer empresa que emita notas fiscais no Brasil — seja indústria, comércio, atacado, varejo, e-commerce ou prestadora de serviços de transporte.

Ao entender a estrutura dos 4 dígitos, conhecer os 6 grupos principais, dominar os CFOPs mais usados e seguir o passo a passo de identificação correta, sua empresa garante:

✅ Conformidade fiscal e jurídica; ✅ Redução de riscos de autuação; ✅ Apuração tributária precisa; ✅ Escrituração digital sem inconsistências; ✅ Maior segurança nas operações comerciais.

Use este guia como referência sempre que tiver dúvidas — e aprofunde-se nos conteúdos específicos de cada CFOP para situações particulares do seu negócio.